Este local é, com certeza, dedicado aos 90% do meu cérebro que não tenho certeza de para que servem... Entre um cigarro e outro, entre o dia e a noite, nas beiradas de um talvez qualquer, fico gastando palavras, me espreguiçando nas frases, me escondendo entre as reticências...
Ao leitor deixo o agradecimento pelas palavras que eu não disse, mas que, ainda assim, acabaram por ser ouvidas...

quarta-feira, 6 de abril de 2011

A quem retorna

Quando lhe disse adeus, naquela primeira vez, quase oito anos se passaram... Não acreditei em sua partida, não me permiti tristezas, sequer memorizei o momento, não prolonguei o abraço... E não é que você partiu mesmo??? E de repente me vi sem braços, passando veloz pelos dias... Foram três anos sem os cafés do inicio da noite, sem sopas de ervilhas, sem as gargalhadas ou as poses lânguidas para fotos... Três anos sem meu estresse às suas caras de gata que comeu o canário, sem o cheiro de sua erva, sem ouvir meu nome ser chamado no portão... Aí você chegou, na maciota, de fininho, e a alegria de sua vinda foi tanta que não falei do meu coração partido e você não falou de sua solidão... Foram tantos os cafés, os lanches, as gargalhadas, o fazer doces, tortas e pizzas... E foi uma percepção danada de boa saber que ainda eramos as mesmas, nas manias, nos entorses, nos reveses, na alegria do querer bem... Apenas mais silenciosas de nossas solidões...
E novamente você se foi e a saudade trouxe um aperto doido, um lamento sentido à minha alma... Passaram-se dias, semanas, meses e anos e, quando eu não mais a esperava, olha você aqui de novo...
Mas veio tão magra, tão judiada, adoecida de corpo e alma... E meu coração se rompeu de amor, minha alma se vergou de impotência frente ao  seu momento ruim...
Minha mente pirou na premência de uma perda completa que eu não estava preparada para sofrer... Será que algum dia estamos preparados para a separação total, para a ausência de retornos, para o silêncio telefônico infinito????
E tudo que me restava naquele momento surreal era aquela vontade rasgada de agradá-la, de entornar tintas de todos os matizes pelas suas horas pálidas, de reinventar memórias para sua apatia...
Mas você se refez e não pude obrigá-la a ficar...
No compasso da espera que se formou, tempestades homéricas ocorreram: seu irmão faleceu, nossos amigos comuns partiram e eu chorava por seu consolo, soluçava por seu retorno...
E agora, tão já, agorinha mesmo, daqui há dias poucos e pequenos, enfim vens para ficar, para não mais partir... 
Enfim minha alma reencontra o sorriso das horas enquanto aguardo sua vinda minha grande querida amiga... E que essa amizade, forjada em anos e anos de vida, me devolva os braços com os quais estreitá-la...
Estou feliz antes que venhas porque seu coração já está comigo.

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