Este local é, com certeza, dedicado aos 90% do meu cérebro que não tenho certeza de para que servem... Entre um cigarro e outro, entre o dia e a noite, nas beiradas de um talvez qualquer, fico gastando palavras, me espreguiçando nas frases, me escondendo entre as reticências...
Ao leitor deixo o agradecimento pelas palavras que eu não disse, mas que, ainda assim, acabaram por ser ouvidas...

segunda-feira, 21 de março de 2011

Das coisas visíveis... e das invisíveis

Como todo mundo, também eu tenho visto coisas. Coisas visíveis e, atrás delas, as coisas invisíveis que o coração percebe. Das visíveis, o que falar? Se lamentar adiantasse, se fosse eficaz a angústia, se houvessem freios ao medo, à derrocada, ao inevitável... Ah! Se o registro das coisas visíveis trouxesse consigo opções, fórmulas mágicas onde apoiarmos o corpo exangue da esperança... Se houvessem para as coisas visiveis a possibilidade remota do perdão, da anistia da mãe natureza... De mãe a carrasco, a natureza tem se erguido, magestosa, impiedosa, cruel, feroz... Natureza ferida, acuada, se arma de enchentes, tsunamis, vulcões, furacões, terremotos, para que sintamos na pele a devastação de que ela própria tem sido vítima constante... Tolo animal, o homem, em sua insignificância magistral, açoitou, acuou, acordou uma fera adormecida e indomável... Hoje, incapaz de conter o imensurável, se curva na dor, se esvai na perda... Eu lamento a perda daqueles que nunca virei a conhecer, das mãos que não apertarei, dos abraços que não darei... Lamento a trágica descoberta de nossa tolice... Mas o que mais lamento, o que faz a mente chorar, o espirito curvar-se na impotência, são as coisas invisíveis que o coração percebe. Dentre elas, a mais dolorosa, a proximidade do fim...
Quisera eu, antes, nos meus inicios, tecer odes à vida, enaltecer os grandes rios de ternura que me correm nas veias, registrar as grandes paixões que me alimentam a alma...
Hoje quero apenas pedir que a vida me engane, que me permita não querê-la tanto quanto a quero... Que eu não maldiga a natureza em sua fúria, como era de se esperar... Eu quero a sabedoria de amar ainda mais a natureza neste momento em que ela não merece ser amada, porque, dentre as coisas invisíveis que o coração percebe, este é o momento em que ela mais precisa de amor...
O coração, enlutado, percebe que tudo não passa de uma tragédia anunciada...

3 comentários:

  1. É muito difícil pensar num fim. Eu também quero viver!!!

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  2. Adorei seu perfil aqui linda!

    Beijos!

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  3. Nossa! Que lindo post! Você escreve maravilhosamente bem!
    Adorei estar por aqui! Bjs! Déia

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