Este local é, com certeza, dedicado aos 90% do meu cérebro que não tenho certeza de para que servem... Entre um cigarro e outro, entre o dia e a noite, nas beiradas de um talvez qualquer, fico gastando palavras, me espreguiçando nas frases, me escondendo entre as reticências...
Ao leitor deixo o agradecimento pelas palavras que eu não disse, mas que, ainda assim, acabaram por ser ouvidas...

domingo, 9 de janeiro de 2011

Os AlToS e BaIxOs...E aS bAiXaS

Particularmente, acho muito fácil falar de dores e de alegrias. São obras bem definidas, completas em si. Me é muito fácil falar sobre as grandes e as pequenas tristezas. Também flui com facilidade a escrita sobre as maravilhas que pontuam uma existência...
Mas hoje eu falo do limbo, falo daquela estação da vida onde os sentimentos se misturam. Ali se instalam as dores alegres, as felicidades amargas, o bom mau momento, o mau bom momento...
Quero falar da espera, da incerteza, do só por hoje, do passo vacilante... Falar do momento errante onde a felicidade tem espinhos afiados mas onde também a dor profunda tem perfume delicado...
No rosto do sofrimento também nascem sorrisos. Na face sorridente também brotam lágrimas...
Nesse momento, as mentes argutas percebem que, embora a tempestade tenha passado nem todos os estragos poderão ser consertados. Mas também percebem que embora os estragos tenham sido imensos, o essencial não foi perdido.
Eu diria que esse é o momento da vida onde se contabilizam as baixas, onde os altos e baixos já ocorreram...
Perdeu-se o tempo, baixa essa que não tem conserto...
Perdeu-se a confiança, mas essa ainda pode ser restaurada. Nunca como antes, nunca completamente, mas ainda assim, titubeante, ela haverá de retornar a seu tempo...
Perderam-se os planos, os esboços, os projetos... Entretanto, a lucidez, a força,  a capacidade e a paciência haverão de reescrever tal momento...
Perdeu-se o riso, a gargalhada... Mas isso foi momentâneo. A vida se encarregará de providenciar os reparos, nos fornecendo um dia depois do outro, até que novos sorrisos brotem sem esforço, emergindo das milhares de cicatrizes que se formaram...
Chamo essa guerra anunciada de momento de outono... Pequeno outono da existência... São grandes as baixas, imensos os consertos a serem efetuados... Esse é o momento onde a pessoa feliz que sou conhece a tristeza.
Já fui apresentada a ela, a sra. Tristeza, vezes sem conta. Ela caminha comigo um trecho, mas sabe que não será minha companheira constante porque escolhi a menina Felicidade para comigo trilhar meus caminhos...
Então Tristeza me acompanha alguns quarteirões, porque é necessário que minha alma também experimente suas cores e sabores, afim de não estar incompleta ao final da jornada.
E, de repente, assim como veio ela parte, e o momento se transforma em reconstrução e as horas todas são utilizadas na reparação de estragos...
As horas cinzentas de minha existência não são maiores e nem mais poderosas que as horas todas que possuo.
Não lhes concedo importância maior do que merecem. Elas existem e eu passarei por elas. Não passarei ilesa, naturalmente. As cicatrizes estarão todas lá para anunciar que tais horas existiram. No entanto, emerjo disso tudo muito mais eu, mais capacitada, mais fortalecida, mais completa.
E eu escrevo isso para todos aqueles que conhecem essas horas cinzentas, que enfrentam as terríveis tempestades, que sabem da fragilidade que se esconde na frase "só por hoje!"
O único alerta que dou: tenham paciência, usem doçura e firmeza, jamais se esqueçam que a tempestade pode parecer infinitamente longa, mas não é eterna... E após a tempestade o sol brilha, vem a reconstrução, o tempo se ocupa, os sorrisos renascem, a vida flui e a menina Felicidade abre seus bracinhos repletos de ternura para nos abraçar forte...
E a grande, a maior baixa dessa batalha feroz, a recaída, acaba esquecida nos ontens de nossa existência...
Só por hoje! Sempre.

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